quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Atão Colombo!?

Há 2 semanas fiquei indignado. No projecto final dos alunos de Comunicação da universidade de Hanze participei num concurso de Quizz. O prémio era uma tarte. A minha equipa foi constituída espontaneamente por 3 irlandeses. Amigos desde que cheguei aquelas paragens.


A determinado momento fiquei com o orgulho ferido. Uma pergunta sobre quem deveria ter descoberto o caminho marítimo para a Índia através do Atlântico e foi parar à América veio à baila. Foi Cristóvão Colombo pois ta claro. Colombus diziam eles… Pouco depois levei um facalhão na minha faceta orgulhosa.


O concurso acabou, e nas 7 equipas nem em 3º ficámos. Lá ficou a tarde para uns espanhóis. Logo aí, a minha angústia entalava-se na garganta.


No posterior momento de convívio, veio a conversa do jogo. Salientei mais de 3/4 vezes a nacionalidade do Sr. Colombo: Portuguesa. “Fuck of”, retorquiam eles, era italiano o homem. O tanas, dizia eu: era português! Foi foi a Espanha autorizar-se para a caminhada fluvial. “Fuck you”, ele imigrou para Espanha antes de partir…


Podia continuar estes “fucks” e tanas por parágrafos e parágrafos. Não me convencia, nem eles. O argumento de um deles me dizer ser apaixonado por história não me aliviou a inquietação de saber porque é que aquele Centro Comercial na 2ª circular tem o nome do navegador. A conversa parou e matutei, matutei. Pesquisei e parei. Desiludi-me. Porque é que as minhas professoras me enganaram? Porque é que iludem a pequenada de que tínhamos um país imenso? Com gente que fez feitos incríveis!? Talvez tenhamos alguns…


A história, que interessa aqui, resume-se a dois factores: nasceu na cidade Italiana de Génova, por volta de 1451; depois de 6 anos a pedir ajuda para concretizar a sua expedição esta foi-lhe concebida pelos Reis de Espanha.


Referência explícita a Portugal? Nenhuma concreta, apenas especulações de que nasceu no Alentejo, e nem sabia ler nem escrever italiano (mas a minha pesquisa também foi curta… só para descargo de consciência). Ele bem que poderia andar por cá é certo, talvez como o Rolandinho Gaúcho andou às cambalhotas pelo Estrela da Amadora e foi exibir-se além fronteiras. E de que maneira… Tal como Cristóvão o fez.
Fiquei arrependido de pesquisar em frente aos irlandeses, para além de gramar com o que via, tive de gramar com eles. Só me apetecia responder: “AHAH, mas vocês receberam a ajuda do FMI”, e eles respondiam-me: “E tu não vais queres ver?”. Calei-me e engoli.


Uma coisa Colombo tem que me lembrou as terras lusitanas… Depois de ser mal sucedido na sua última viagem neste mundo, partiu para o outro sozinho, e na miséria.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Exame a carvão

Desde 1999 que não fazia um exame a carvão, não só em pensamento - esse é mais frequente - mas a lápis. (Sim, naquela altura ainda não era avaliado por exames, frequências, testes. Chamemos-lhe fichas de avaliação.) Ainda para mais quando a lapiseira me foi fornecida por um profissional de futebol, Philip Haglund, jogador do FC Herenven.

Não é facto o facto mais relevante (para outros, para mim é). Contudo, queria falar do carvão.

Senti-me "indignado" quando após um professor me fornecer uma caneta que deixou de escrever passadas duas linhas pedi uma novamente, envergonhado por ter levado uma lata de RED BUll para o exame e me ter esquecido do estojo em casa, o jogador sueco me ter oferecido uma: ao entrar em contacto com o objecto deparei-me com um porta minas e "refilei", ao que o professor respondeu não haver problema.

Paralisei.

E se apagassem o que escrevi? E se depois de receber o exame eu apagasse o que escrevi e reescrevesse? O que até nem é mal pensado de todo, mas será que eles sequer pensam nisso? Eu pensei! Idiota...

Sim, obrigado senhoras e senhores professores por me tornarem desconfiado a este ponto de desconfiar de uma oferta de um jogador profissional de futebol!

Já não é a primeira vez que me sinto "desconfiado" em relação a certas "facetas" desta gente... O que não passam de normalidades, tal com para nós é escrever a caneta nos exames, ou nas provas de avaliação.

Fiquei a perguntar-me: o que achariam eles se eu fizesse o exame a tinta vermelha?

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

McPombo - não obrigado

Ricardo Quaresma foi notícia na Turquia (e algures por cá). Não pelas suas trivelas ou metros corridos até acabar com a bola nas redes adversárias ao Besiktas nem por estar lesionado.

Provavelmente subindo-lhe o sangue cigano à cabeça actuou prontamente perante a invasão de campo de uma espécie de gaivota (peço desculpa pela minha ignorância aviária), pisando-lhe a cauda e segurando-lhe nas "costas", deixando o pobre animal de asas abertas e a barafundar com o bico algo em turco com certeza, enquanto o entregava a um Stuard amedrontado

Hoje gostava de ter esse sangue cigano. Enquanto estava muito bem a comer o meu hamburguer no res-do-chão d'um restaurante da super-hiper-mega-cadeia McDonald's eis que surge perto de mim um pombo a penicar uma batata mais que a fronha dele (estúpido), fazendo com que andasse a deambular pelo restaurante, sempre em meu redor... Algo embaraçoso, pois estava tudo a olhar para o "pobre" animal, onde eu me encontrava dentro do ângulo de visão de todos.

Mudei-me para o cantinho e já 2 pitas estéricas, a aproveitar a semana de descanso escolar, riam-se descontroladamente enquanto uma funcionária me pedia desculpa. E depois de ela virar as costas, eu no meu cantinho e as miúdas calarem-se e virarem-se para os seus respectivos lugares com um gelado na mão, eis que surge o maldito animal e voar-me por cima da cabeça pregando-me um cagaço, e embaraço, daqueles que me apetece baixar de baixo da mesa e enfiar-me debaixo duma das pernas da mesa... Infelizmente, sou um pouco grande para isso o que contribuiu para um novo pedido de desculpas, uma maratona de risadas enervantes e um bando de olhares sobre a minha pessoa...

Se tivesse aquele sangue que Quaresma possui, tinha apanhado aquele bicho à primeira. O que me pouparia metade do embaraço...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Baleal

Hoje chove em Groningen.

Dizem que é normal nestas paragens. ainda não me tinha apercebido. Manhã mais nostálgica não podia haver: ler o "Público" e ouvir a Rádio Comercial... Foi exactamente aqui que tudo se "nostálgiou" gravemente.

"Empire State of Mine" de Alicia Keys ( A SOLO!! Sem o Jay-Z a gaguejar por favor!!!)

Este tempinho "molhoso" que me fez lembrar as voltinhas pelo Baleal (quem não sabe é uma ilhota (península) a 4Km de Peniche, pouco maior que a área envolvente ao Estádio Municipal de Coimbra, mas com uma beleza natural incomparável...), onde o som dos limpa-vidros acompanha as teclas do piano e o ranger dos pneus nos parelelos relembra um certo ardor na espinha...

Ainda mais sendo uma "paraisosinho" perto de casa, um refúgio mais que justo depois de uma semanada coimbrã...

Um refúgio que terá de esperar mais de 2 meses pelo meu regresso... Um verdadeiro paraiso neste momento, pois alcalça-lo está além dos meus horizontes.

Bem que podia apanhar um avião e daqui a uma meia dúzia de horas já lá estava, mas são estas "dificuldades" que tornam estes lugares únicos e inesqueciveis - mesmo estando à porta de casa.

Homeless

Há coisas que a vida nos ensina todos os dias. Ou pelo menos tenta. Não fosse a nossa teimosia maior que qualquer linha horizontal. Nada (ou quase) corre como nós esperamos. Por certo já nos aconteceu n-vezes ficar-mos decepcionados com o resultado deste ou daquele acontecimento.

Mas não aprendemos: não há linha horizontal maior que os nossos sonhos ou interesses mais profundos...

Tão fácil chegar à Holanda, procurar casa, encontrar, pousar as malas, comer massa com atum, sair para socializar e acordar no dia seguinte com uma dor de cabeça terrivel... Fácil? Não para mim de certeza...

Agravante: o facto da minha 1ª paragem neste país (após Amesterdão) ter sido Den Hagg, uma cidade a 3 horas de comboio da minha "terra prometida" e a atenuante de ter que fazer o caminho de ida e volta para procurar casa 2 vezes e gastado cerca de 150€... Não é muito bom para os cofres.

Encontrar casa 'tá quieto. Encontrar hostel só com sorte. Devido a este factor não ficámos a dormir em tendas como muitos outros colegas nossos que ainda procuram um tecto fixo sobe onde ficar.

Parece simples não ter casa, chegar a um hostel e continuar a procura-la... Se nos esquecer-mos do preço do quartito, das despesas com a alimentação (ir ao McDonald's todos os dias é obra...), do stress em alugar um quarto... Claro, é bastante simples.

Há-de se encontrar algo: se estiveres disposto a pagar 489€/mês. Estar não estou, mas não tenho outro remédio.

Boa sorte aos meus colegas que têm a sua linha horizontal maior do que as coisas que a vida lhe ensina.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Intro

Já lá vai mais de um mês após a minha chegada a terras holandesas. tempo mais que suficiente para ter material um tanto ou pouco, ou tanto ou nada interessante para escrever - algo que eu quis fazer desde o dia em que saí do ninho maternal.

Mas já se sabe como é: é dificil ter vontade de ler, tanto quanto a de escrever (mas devo, eu sei que sim). E quanto mais se deve, menos se faz...

O que me fez ter vontade de escrever? Nada!!! Ou melhor, devo agradecer à minha amiga Papeira por me dar tempo livre que enjoe fechado em casa apenas com "deveres" da escola para concluir (LOL).

Sim minha gente: eu tenho Papeira! Aquela doença dos miúdos, e do século passado, e sim é perigoso em idade adulta! (mas eu só tenho 22 anos, ainda não sou considerado um adulto pois não? olha eu a tirar macaquinhos do nariz...)

Contudo, há certas coisas/experiências, diferenças culturais - podem pensar como eu: "pffuuu, é um país europeu, que diferenças deve ter?", mas tem... - coisas que deviam/ e não acontecer...

Quem me quiser acompanhar nesta aventura, nem que seja SÓ durante estas 2 semanas de retiro... make yourselfs at home ;)